A Relativização do Mal é uma ação premeditada de seus autores, perpetuada por muitos inocentes úteis e que é um dos fatores para a perda de valores sociais.
A Relativização é o primeiro passo para a inversão de valores. Na sociedade pós-moderna, em que não há mais referências que balizem julgamentos sobre o bem e o mal, o certo e o errado, o justo e o injusto, até mesmo desenhos animados são influenciados. Não há mais personagens 100% justos, 100% puros, 100% bem intencionados.
Por que será que os super-heróis bonzinhos e totalmente do bem não tem mais graça?
Nem mesmo os pais conseguem educar seus filhos de forma a explicar o que é o certo ou o errado. Eles mesmos já sofrem com esse processo de inversão de valores.
Desde quando o mal passou a ser bem e o bem passou a ser relativizado?
Este ensaio não tem por objetivo responder a todos as questões. Apenas iniciar o debate. Porém, pior do que a inversão de valores, são as conseqüências sociais da perda de valores sociais básicos como o altruísmo, a compaixão, vida humana, misericórdia, tolerância etc. Nunca vimos tantos filhos sendo assassinados por seus pais, filhos matando seus pais, violência pura e gratuita que parece que saiu de filmes de terror para a vida real.
Por que tudo isso está acontecendo? Há muitas resposta, mas certamente uma delas passa pela perda de valores, provocadas pela relativização do mal. Muitas vezes a relativização do mal é uma ação premeditada de pessoas sem valores espirituais altos ou de baixos valores morais e sem nenhum compromisso com a sociedade, onde os fins justificam os meios.
Quem relativiza o mal, tem a necessidade de entreter com o novo o bizarro e a estupedificação coletiva em programas de TV e filmes violentos e onde lucram com as debilidades humanas e suas fraquezas. Quem relativiza o mal, justifica suas ações pela necessidade da sociedade ter mais opções
Um bom exemplo desta relativização do mal é o desenho animado infantil The Imp (numa tradução livre: O Diabinho). O desenho passa no Brasil pelo canal infantil Cartoon Network.
“The Imp”, criado por Andy Fielding e que se passa no inferno e seus arredores. Ele é um pequeno diabo malvado que tenta preencher o mundo do mal, mas não sabe como fazer. Entre os diversos personagens, há o Big Boss (o próprio Diabo).
A relativização do mal não é apenas uma ação pessoal, como também pode ser promovida por empresas. Ainda dentro do exemplo do The Imp, a série foi criada pelo estúdio Red Kite Animations e Screen 21, realizado e distribuído pela BRB Internacional, que é o mesmo estúdio espanhol que distribui Os Muppets, A Pantera Cor de Rosa, Tom & Jerry e a série “As Panteras”.
Um imp ou diabrete é um ser mitológico semelhante a uma fada ou um demônio, freqüentemente descrito no folclore e superstição. A palavra deriva do termo ympe, usado para denotar uma árvore enxerta. Imps geralmente são mais descritos como seres arteiros do que como ameaçadores, e como seres mais inofensivos do que seres sobrenaturais mais conhecidos. Os ajudantes do diabo às vezes são descritos como imps. Geralmente são descritos com pequena estatura e cheios de energia.
Que valores o Sr. Fielding, a Red Kite, Screen 21 e a BRB querem passar às crianças que assistem Imp? Fazer o mal é divertido, é bonitinho?
Antes bruxas, monstros, ogros e vampiros eram seres do mal. Com a relativização do mal, toda criança quer ser uma personagem de “Os Feiticeiros de Waverly Place”, acha lindo os Monstros SA, morre de rir com Sherak, assim como as adolescentes sonham em serem mordidas pelo vampiro Edward. Não satisfeitos criaram Hellboy e colocam o simpático comediante Adam Sandler para ser “Um Diabo Diferente”.
Voltando ao desenho Imp, ele é exibido na grande de programação de canais de diferentes países, como a Disney Japão, TVC e Antena 3 na Espanha, mas até agora não vi nenhuma discussão que mostre o compromisso de seus criadores e produtores em educar ou passar valores positivos e do bem.
Como um diabo pode ensinar bons valores? Como pode ser bom para o desenvolvimento dos valores humanos de uma criança?
Os exemplos de relativização do mal não param por ai. Há inúmeros desenhos que podemos dizer além de não contribuírem em nada com a construção dos futuros cidadãos em uma sociedade que carece cada vez mais de valores bem definidos. Programas televisivos como o BigBrother e algumas novelas, assim como video-games como Control Strike e GTA, são um desserviço social tão grande, que a sociedade deveria no mínimo estudar seus efeitos psico-sociais e na formação de psico-patologias ou de ações violentas contra a própria sociedade.
O povo não gosta de porcaria, mas consome o que lhe é dado. O povo consome as porcarias da televisão porque é de graça. É preciso ter interesse de Estado em levar cultura ao povo brasileiro por meio do teatro. A televisão não é só a política do pão e circo. A televisão é interesse de Estado. Tem que haver contrapartida de interesse público. E o interesse público numero um hoje deve ser uma política de reeducação para a volta dos valores absolutos, barrando iniciativas nocivas de relativização do mal em nossa sociedade.
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