Bem-vindos a verdadeira TV interativa: os vLogs


Antes da Internet no Brasil, nos idos 1992, conversando com uma amiga sobre como eu gostaria de fazer um livro, usei pela primeira vez a palavra “interativo”. Na época, pensava num livro onde o leitor pudesse ler de qualquer jeito sem perder o sentido. Ele poderia começar do início para o fim ou começar do meio e já ir mudando os personagens para um novo fim a cada nova leitura. De lá para cá, fui usando cada dia com mais força, as diversas variações desta palavra e nas mais variadas conjugações. Ainda não sei como faria este livro interativo, mas hoje sei como fazer bancos de dados para garantir interatividade. Um pequeno fragmento da interatividade promovida pela Internet.
 
A Web cresce sem a preocupação com a concorrência de outras mídias. Enquanto a mídia tradicional hora digladia hora se une com operadores de telefonia para escolher qual o formato de TV Digital para o Brasil, há uma outra TV crescendo e tomando o coração dos tele-expectadores: a TV interativa via Web. E todos sabem que, uma vez tomado o coração, é também tomado o comportamento, que por sua vez muda os padrões de audiência televisiva. Imagino que em um futuro muito próximo, a maior concorrente da Rede Globo não será o SBT, mas a própria Internet. A oferta de qualidade de tráfego de áudio e vídeo vem aumentando diretamente proporcional a quantidade de aplicações e serviços disponibilizados aos usuários, como o VoIP e o videofone. Hoje podemos assistir todo um acervo de curtametragens (www.portacurtas.com.br), com também podemos assistir ao vivo os jogos da Copa da FIFA 2006 (http://popcopa.gmc.globo.com/gmcpopcopa/PopCopa?idJogo=1). Temos o exemplo de uma rede de tevê totalmente Web (www.alltv.com.br) que já produz novelas totalmente interativas, onde os telespectadores decidem o desenrolar do folhetim.
 
Porém, a uns 5 anos atrás, este papo de TV Interativa era conversa ou de quem assistia o “Você Decide” ou de quem, como eu, já era profissional de TI. Na época olhar para as previsões para 2006 e imaginar as pessoas fazendo seus próprios programas de TV era uma coisa ao mesmo tempo maravilhosa e surreal. Hoje nós temos a realidade do www.youtube.com ou do www.myspace.com que já comprometeram até o Príncipe Williams, herdeiro do trono inglês, mundialmente exposto a cenas bastante suspeitas para um lord de adestramento comportamental hétero. Mas isto já é papo para outro post. Se você for uma pessoa organizada (ou não), tiver conteúdo do interesse de um nicho de mercado (ou não), poderá criar seu próprio “canal televisivo”. Um bom exemplo disso é a TV Barbante do escritor, palestrante e estrategista de comunicação e marketing, Mario Persona www.tvbarbante.blogspot.com.
 
Antigamente, os equipamentos de filmagem tinham foco na qualidade da imagem e na portabilidade (tamanhos compactados) para a produção de vídeos que poderiam ser salvos até em DVD’s. Hoje, além de todas estas vantagens, eles estão focados em um usuário com uma cultura de internet cada vez maior. E nem é preciso ter muitos conhecimentos de informática para editar o vídeo produzido a partir de um telefone celular. O software da edição de vídeo mais popular no Brasil é o Windows Video Maker, porque já venha disponível desde as versões Windows 98. Mas há os softwares mais profissionais como o Adobe Premiere que transforma qualquer PC numa verdadeira ilha de edição. Porém, cada filmadora ou aparelho com câmera filmadora digital, vem com algum tipo de aplicativo para os autodidatas poderem salvar os arquivos em seus PC’s e distribuírem por e-mail ou na Web. Enquanto uns preferem organizar seus vídeos para mostrar somente aos seus parentes, visitantes de sua casa ou seus vizinhos, muitos já aproveitam serviços gratuitos e pagos para divulgação de seu acervo.
 
Temos ótimos exemplos de serviços internacionais como o www.multiply.com cujo o post (postagem de arquivos) é ilimitada e o www.blogger.com, que é considerado o melhor serviço de blog do mundo. Profissionais do vídeo (www.videolog.tv/studiom) com programas televisivos e cineastas do circuito alternativo (www.videolog.tv/cineastamuitodoida), dividem espaço com exibicionistas (www.videolog.tv/panzinhaunderline) e com lindas garotas vendem sua imagem gratuitamente (www.videolog.tv/tatanitt). O interessante é que nem sempre exibir às câmeras seus talentos (ou a falta deles) é garantia de boa audiência. O importante é garantir os 15 minutos de fama que Andy Warhol eternizou e previsto por George Orwell no livro Big Brother (O Grande Irmão, 1984). Não basta o usuário fazer um material de boa qualidade e bem editado. É necessário o uso de uma estratégia muito bem pensada ou contar com a sorte ou simplesmente ser um rostinho bonito como . Na proposta do www.videolog.tv, os vlogs mais populares tem divulgação oficial serviço, transformando anônimos em celebridades.
 
Patrocinado pela Oi Celular, no VideoLog você encontra desde pessoas conhecidas (www.videolog.tv/djmarlboro) a rotinha de paparazzi (odiados pelas celebridades) mostrando que a moeda tem duas fases: a que vai para a TV aberta e a que vai um TV muito mais aberta (www.videolog.tv/paparazzisa). Se estava faltando alguém dar uma de anfitrião te convidando para assistir a verdadeira TV aberta, livre e pública, que este alguém seja eu: Bem-vindo ao mundo dos vlogs! Aqui qualquer um vira celebridade ou cai nas (des)graças do povo. Leia agora ao artigo jornalístico abaixo e veja como a mídia tradicional se prepara para encarar seus maiores concorrente: bilhões de telespectadores se tornando astros de seus próprios reality shows.
 
Para estes bilhões de usuários, a princípio não interessados em qualidade mas em diversão, os vídeos quanto mais caseiro melhores, pois mostram um realidade que ele conseguiu conectar pela interatividade da Web e com exclusividade maior do que é postado nas mídias de massa como a televisão. O gosto do poster de um vlog pode até ser duvidoso, mas uma hora vai achar alguém que se identifique com o material postado. Mas, parafraseando o Ministério da Saúde, eu advirto: beba com moderação! Você poderá ao mesmo tempo beber de boas fontes de humor de algumas trupes de artistas ou amigos (www.videolog.tv/video?59869) como assistir a exibição explícita de distúrbios psico-comportamentais de uma jovem que sofre de bulimia e ainda acha isso lindo (www.videolog.tv/video?82978). Em fim, você assiste de tudo: de luxo ao lixo. Tudo na medida certa, para que seu ócio na Web seja uma ótima fonte de lazer e show de interatividade.
 
E quanto a exposição da imagem? Bom, isso realmente ainda é um impedimento para mim. Mas o que falta de coragem em mim, sobra em outros. A verdade é que esta revolução interativa começou com as listas de discussão ainda na época das BBS’s, passando a ser bastante comuns no início da Internet com os sistemas de bate-papo como o ICR e seu mais popular software, o mIRC e se popularizou com pessoas fazendo suas próprias home-pages, blogs e fotologs. Fato é que as pessoas primeiro colocaram suas palavras a vista, depois suas idéias e emoções. Dai para deixarem seus nicks e exporem seus verdadeiro nomes foi um pulo para total desinibirão diante das câmeras. Estas maravilhas digitais podem fotografar e filmar e agora o melhor endereço para a divulgação deste material não é mais a caixa postal dos amigos, mas estes outros espaços, como o http://space.msn.br ou o Orkut, bem a mostra de qualquer um. O que toda esta interatividade tá mostrando é que as pessoas não querem somente saber da vida das celebridades, mas das pessoas anônimas.
 
O importante é que a Web é realmente um espaço democrático, pelo fato de todos terem acesso livre irrestrito, com interatividade total com os desenvolvedores de conteúdo e pelo fato de todos poderem postar suas idéias, artigos, fotos e vídeos, em todos estes espaços virtuais. Além dos interesses comerciais de quem disponibiliza estes serviços, o mais importante é pensar nos interesses dos usuários, que podem ser: políticos, pessoais, altruístas, profissionais ou financeiros. NESTES ESPAÇOS VIRTUAIS SOMOS COMO CÃES QUE URINAM PARA DELIMITAR SEUS TERRITÓRIOS. Ninguém mais quer ser anônimo. Todos querem eternizar — nem que em bits — suas passagens por esta vida. Agora para nós seres humanos — inconformados com o nascer, crescer, se reproduzir e morrer — além da trilogia ter filhos, plantar uma árvore e escrever um livro, é importantíssimo a construção de um registro virtual (nem que seja um registro como este meu artigo). Como eu disse no início, ainda não sei como faria um livro interativo, mas ele seria igualzinho a Web de hoje.

Porfírio
Wesley’s Space Blog
http://spaces.msn.com/wporfirio
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