Só 18,9% dos goianos tem acesso a Internet


Fonte: Lúcia Monteiro, Economia, página 14, Jornal O Popular, 24/03/07

Pesquisa IBGE sobre Internet em Goiás mostra que quase a metade dos usuários são estudantes em pesquisas escolares. Já os celulares estão nas mãos de 43,6% da população.

Apenas 18,90% dos goianos com mais de 10 anos, o equivalente a 874.753 habitantes do Estado, tiveram acesso à Internet pelo menos uma vez em 2005. Quase metade era estudantes, que utilizaram a rede mundial principalmente em pesquisas escolares. Como o custo do microcomputador e do serviço é elevado para a maioria da população, muitos goianos ainda utilizam a Internet apenas no local de trabalho, na escola ou em centros públicos, como lan houses. As conclusões são da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad 2005) sobre acesso à Internet e posse de telefone celular para uso pessoal, divulgada ontem pelo IBGE.

O levantamento foi feito em parceria com o Comitê Gestor da Internet no Brasil. Em todo o País, o número de usuários de Internet somou 32,1 milhões em 2005, o equivalente a 21% da população com mais de 10 anos. A pesquisa mostrou que os internautas brasileiros eram jovens com idade média de 28 anos, 10,7 anos de estudo e com renda mensal domiciliar de R$ 1 mil por pessoa. A conexão discada à Internet ainda é mais difundida que a banda larga, que tem custo bem mais elevado (cerca de R$ 120,00 mensais).

Poder Aquisitivo

Em Goiás, 35,6% dos internautas acessaram a Internet em suas próprias casas, contra um porcentual de 50% na média nacional. O porcentual de goianos que utilizam a Internet em centros públicos de acesso gratuito ou pago, como lan houses, também é maior: 31,8%, contra 28% em todo o País. Para a coordenadora de Divulgação de Censos do IBGE em Goiás, Marília Tandaya Glande, isso indica o grande número de goianos que ainda não tem microcomputador em casa, refletindo o menor poder aquisitivo da população da região.
A maioria dos estudantes utiliza a Internet para educação e aprendizado e para se comunicar com outras pessoas. A estudante de direito Bruna Loren dos Santos, de 18 anos, não tem computador em casa e sempre visita uma lan house para fazer seus trabalhos de faculdade e buscar informações. “Ainda não comprei computador porque o custo é alto. Mas está fazendo muita falta e logo pretendo comprar”, diz a estudante, que gasta cerca de R$ 50,00 mensais para ter acesso à Internet. A lan house Net Play recebe certa de 300 a 400 somente nos finais de semana, principalmente estudantes. O movimento cresce 10% ao mês.
Segundo o IBGE, 432.963 estudantes goianos acessaram a Internet em 2005, o equivalente a quase 37% do total de alunos do Estado. Entre aqueles que utilizaram o serviço em suas escolas, o porcentual foi de 25,7% em todo País. Para Marília Tandaya, do IBGE, isso mostra que as escolas goianas estão mais preocupadas com o acesso à informação de seus alunos, até por uma exigência do MEC, apesar de muitas ainda não disporem de computadores aos alunos, tanto na rede pública quanto na privada.
Maioria em Goiás acessa a Internet no local de trabalho

Entre os não-estudantes, o porcentual de uso da Internet cai para apenas 12,7% do total. É o caso do auxiliar-administrativo Rafael Carvalho de Oliveira, que está sem Internet em casa e sempre vai a uma lan house para acessar seus e-mails. “No momento, estou sem recursos para manter a Internet em casa”, conta.

Mas a maioria dos internautas goianos (41%) acessa a Internet no local de trabalho, onde o uso do computador já é bem mais difundido que nas escolas. A operadora de telemarketing Tânia Jacinto Martins, que não tem computador em casa, por causa do alto custo do equipamento, e nem na escola que freqüenta, só usa a Internet no trabalho ou numa lan house. “Minha renda ainda não me permite comprar, mas está fazendo muita falta”, diz Tânia.

Até mesmo o designer gráfico Anderson Eugênio de Morais, que trabalha sempre com computador, acessa a Internet somente no trabalho ou quando vai à casa do pai. Ele também sonha em comprar um micro, mas reclama do alto custo do equipamento.
No Brasil, o computador é mais utilizado para pesquisas de profissionais de ciências e artes (72,8%), seguido pelos trabalhadores do serviços administrativos. O menor porcentual de uso ainda está entre os trabalhadores agrícolas (1,7%). A maioria dos goianos não utiliza a Internet porque não têm acesso a um computador.
2 milhões de tinham celulares em 2005

A Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) estreitou a conexão entre computadores e celulares que, hoje, enviam conteúdo entre si. Mas, em 2005, a posse de telefone móvel para uso pessoal mostrou-se mais difundida na população que o acesso à Internet. Em Goiás, 43,6% da população com mais de 10 anos possuem telefone celular, o equivalente a mais de 2 milhões de pessoas, contra 36,7% (56 milhões) no Brasil. Entre os usuários goianos, 517.744 eram estudantes.
No Centro-Oeste, 45,7% das mulheres têm celular, contra 49,4% dos homens, média nacional que cai para 35,4% no caso das mulheres e para 38,2% no caso dos homens. O resultado na região é influenciado pelos números do Distrito Federal, que tem o maior porcentual de pessoas com celulares no Brasil: 66,3%. A pesquisa mostra que a escolaridade e o rendimento domiciliar são os fatores que mais influenciam na posse do telefone celular no Brasil.

Em 2005, as pessoas que possuíam celular tinham uma média de estudo de 9,2 anos, contra 5,2% entre aqueles que não possuíam o aparelho. Entre as pessoas sem instrução ou com menos de um ano de estudo, apenas 8,5% tinham telefone celular. Entre os usuários de 15 anos ou mais de estudo, esse porcentual atingiu 82,9%. O rendimento médio das pessoas que tinham celular era de R$ 772,00, contra R$ 299,00 das que não tinham.

Segundo o Comitê Gestor, a distribuição no País ainda é ruim

Rio – No Brasil, apenas 21% da população com 10 anos ou mais de idade utiliza a Internet. Segundo a pesquisa dp IBGE, 32,1 milhões, dos 154 milhões de habitantes em 2005, tiveram acesso à Internet. Os principais empecilhos para o aumento desse número são a renda e a escolaridade: enquanto as pessoas que utilizavam a Internet tinham renda média de R$ 1 mil e escolaridade de 10,7 anos, as que não a utilizavam tinham renda de R$ 333,00 e escolaridade de 5,6 anos.

Mesmo assim, esses números colocam o Brasil no quarto lugar entre os países latino-americanos no que se refere à penetração da Internet, segundo Mariana Balboni, do Comitê Gestor de Internet — parceiro do IBGE no estudo.

No que diz respeito ao número total de usuários do País (32,1 milhões), o Brasil está em primeiro lugar na América Latina e no quinto lugar em todo o mundo. Mas, segundo Mariana, os dados mostram que a distribuição do uso da Internet ainda é “muito ruim” no País.
O presidente da Anatel, Plínio de Aguiar Araújo, disse que os dados apurados pelo IBGE têm abrangência bem maior do que as demais pesquisas sobre o uso da Internet que já foram realizadas no Brasil e, desse modo, serão utilizados pela agência e pelo Comitê Gestor de Internet para a definição de políticas públicas. Segundo ele, serão necessárias avaliações para definir se o porcentual de 21% de usuários de Internet é baixo, mas é possível adiantar que “há a barreira de renda” para o acesso no País.
Celulares

A pesquisa mostrou ainda que o número de pessoas com 10 anos ou mais de idade que usavam telefone celular no Brasil somava 56,1 milhões em 2005. Segundo o estudo, escolaridade e rendimento domiciliar foram fatores que influenciaram na posse do celular. O número médio de anos de estudo das pessoas que tinham celular para uso pessoal foi 9,2 anos, enquanto o das não o possuíam era de 5,2 anos.
LOCAL DE ACESSO

FINALIDADE DO ACESSO

MOTIVO DA NÃO-UTILIZAÇÃO
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