Família que come unida, come melhor (com TV ligada ou não)


Fonte: G1

 

O costume de assistir à TV durante as refeições sempre foi considerado um péssimo hábito alimentar. Por isso, quando pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, realizaram um estudo sobre refeições em família, eles esperavam comprovar que a prática de manter a televisão ligada durante as refeições prejudicava a alimentação das crianças.

 
Contudo, para a surpresa dos pesquisadores, esse dado em particular não fez muita diferença nos resultados. As famílias que assistiam à TV durante o jantar demonstraram o mesmo nível de saúde das que jantavam sem a televisão. Sendo assim, o fator mais importante a ser considerado não foi se a televisão estava ligada ou desligada, mas se a família estava fazendo a refeição unida ou não.
 
“Claro que nosso desejo é que as pessoas façam as refeições em família e desliguem a TV”, declarou Shira Feldman, principal autora da pesquisa. “Mas o simples ato de comer junto é, em um determinado nível, muito benéfico, ainda que a TV esteja ligada”.
 
O estudo, publicado neste mês no “Journal of Nutrition Education and Behavior”, é a mais recente prova do poder da refeição feita em família. Enquanto muitos pais se preocupam com o que os filhos comem, ou seja, verduras e vegetais em vez de porcarias em geral, um grande volume de pesquisas sugere que a melhor estratégia para melhorar a alimentação da criança é simplesmente servir a comida e sentar para comer, com toda a família reunida.
 
A importância da refeição em família foi demonstrada sobretudo em estudos realizados pelas Universidades de Minnesota, Harvard e Rutgers que analisaram os hábitos alimentares das famílias de cerca de 40 mil estudantes e adolescentes do ensino fundamental e médio. A pesquisa revelou que as pessoas que têm a rotina de fazer as refeições com os pais comem mais frutas, verduras e alimentos ricos em cálcio, ingerem mais vitaminas e nutrientes e consomem menos comidas de fast-food. Algumas pesquisas indicam que as crianças que costumam fazer as refeições com a família apresentam menos riscos de futuramente fumar e consumir drogas e bebidas alcoólicas.
 
No entanto, como acontece com todos os estudos que observam as pessoas ao longo do tempo, a grande pergunta é: a refeição em família realmente resulta em hábitos mais saudáveis? Será que as crianças de famílias mais felizes e mais atentas à saúde não teriam simplesmente mais inclinação a se sentar e participar da refeição com a família?
 
Os pesquisadores da Universidade de Minnesota buscaram responder a essa pergunta observando a “ligação familiar”, que basicamente avalia a saúde psicológica da família. As crianças de famílias bastante unidas demonstraram que ingerem alimentos mais saudáveis, têm notas mais altas e menor propensão a se tornarem fumantes ou usuários de drogas ou bebidas alcoólicas. No entanto, na pesquisa de Minnesota, o fato de a família ser unida ou problemática teve menor peso. A ênfase estava em analisar se a família costuma fazer as refeições unida ou não.
 
Um estudo, publicado no “Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine” em 2004, revelou que dentre as pessoas em ambientes de união familiar, as crianças que faziam sete ou mais refeições com a família por semana tinham muito menos probabilidade de vir a fumar, consumir álcool ou usar maconha do que as que o faziam apenas uma vez ou nenhuma.
 
No mais recente estudo que avaliou os efeitos da televisão, os especialistas pesquisaram os hábitos alimentares de cerca de 5 mil estudantes de ensino fundamental e médio em Minneapolis e St. Paul. Os dados foram coletados durante o ano letivo de 1998-99, mas só foram analisados recentemente. Cerca de dois terços dos estudantes relataram que jantavam com os pais pelo menos três vezes por semana. Mas cerca de metade desse grupo disse que também assistia à televisão durante as refeições em família.
 
De modo geral, as crianças comiam alimentos mais saudáveis quando a televisão estava desligada, mas as diferenças não foram tão marcantes como esperavam os pesquisadores.
 
O maior efeito foi observado entre as crianças que não faziam nenhuma refeição com a família. As meninas que faziam as refeições sozinhas comiam menos frutas, verduras e alimentos ricos em cálcio e consumiam mais refrigerantes e lanches do que as meninas que faziam as refeições com os pais. Além disso, as meninas que comiam com os pais ingeriam mais calorias, cerca de 14% mais, o que sugere que fazendo as refeições sozinhas, as meninas têm maior risco de desenvolver distúrbios alimentares. Os meninos que não faziam refeições com os pais consumiam menos verduras e legumes e alimentos ricos em cálcio do que os que tinham a rotina de comer com a família.
 
A lição que fica para os pais, segundo os autores do estudo, é que estar juntos na hora da refeição é o que mais importa. Manter a televisão ligada durante a refeição, embora não seja desejável, também pode servir como pretexto, se isso ajudar a atrair e reunir famílias e adolescentes contrariados à mesa.
 
Não ficou totalmente claro por que a refeição em família pode fazer tanta diferença. Pode ser simplesmente o fato de os pais servirem uma comida de melhor qualidade quando todos estão reunidos. As pessoas que fazem as refeições sozinhas costumam comer pizza, por exemplo, ao passo que as famílias unidas que pedem pizza costumam servir legumes ou salada para acompanhar, explicou Feldman.
 
Pode também ser devido ao fato de que o hábito de comer junto possibilita aos pais oferecer um melhor exemplo de alimentação aos filhos. Além disso, a hora da refeição é, muita vezes, a única oportunidade de os pais realmente cuidarem dos filhos adolescentes tão atribulados, acompanharem o que acontece na vida deles e enxergarem mudanças físicas ou comportamentais que podem sinalizar problemas.
 
A doutora Dianne Neumark-Sztainer, que liderou grande parte da pesquisa de Minnesota, diz que quando os pais tomam conhecimento dos dados sobre a importância da refeição em família, eles muitas vezes se sentem culpados quando seus horários de trabalho e as atividades extracurriculares dos filhos adolescentes impedem que todos comam juntos.
 
A chave, como ela explica, é manter a união, não tentar conciliar todos os horários sempre. Uma família que se dispersa no jantar pode conseguir se reunir regularmente para o café da manhã para compensar. Mesmo uma ou duas refeições em família na semana é melhor do que nada. “Eu me concentraria apenas em observar a situação atual da minha família e analisar o que pode ser feito para melhorar”, disse a doutora Neumark-Sztainer. “Acho que muita gente simplesmente não se dá conta do quanto a refeição com a família é de fato importante.”
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