Invenção do Violão


Poema sobre a criação do violãoEnquanto você lê meu poema, ouça Invenção Em 7½” de Baden Powell

http://ow.ly/d/9qm

A INVENÇÃO DO VIOLÃO
por Wesley Porfírio

De uma costela do pinho o inventor criou e deu ao poeta que disse:

“Esse é finalmente carne da minha carne, bordões de meus tendões”

Foi a última frase de poesia que ele declamou

Ajeitou-o entre o colo e seio, inclinou-se para sentir o cheiro do verniz ainda fresco

Calmamente alisou o tampo perolizado com a flanela ainda humedecida de lágrimas

Passeou com os olhos na anatomia divinamente esculpida

Completamente apaixonado, cingiu os dedos da mão esquerda em concha com o polegar em pressão

Ergueu o pé esquerdo apoiando-se em um pedaço rejeitado da carpintaria

Sentiu o nylon agredindo a ponta de seus dedos ainda sem calos

Não se deu por vencido e para se defender apertou com mais força ainda

Deitou o antebraço por sobre a faixa, metendo a mão na boca gradeada com as cordas

No mesmo instante as unhas do polegar, indicador, médio e anular cresceram

Agora ele podia fazer vibrar o mi, lá, ré, sol, si, mi

O primeiro toque do bordão foi escutado e corrigido pelo ouvido

E mais toques até que a tarracha descobrisse a afinação

Corda por corda, foi afinando e microafinando até a perfeição

Afinal, o inventor sabia fazer, não sabia afinar e nem tão pouco tocar

Da boca sem batom, mas enfeitada de mosaico o poeta falou poesias em som

Declamou-as ao ar por seu sinuoso instrumento os sentimentos em cordas vibradas

Trastes que dividem as notas e escalas, dá finalmente vida às harmonias ecoados de um tampo ocado

O poeta sente as ondas do som saírem da caixa, atravessarem seu ventre e bater em sua alma

Neste momento ele estremece e arrepia da espinha ao cabelo da nuca e se enche de libido

O prazer é sedutor e ele já sabe que se viciará em reproduzi-lo por toda a sua vida

A cada toque melódico o banho de morfina é um carinho que alivia a dor do espírito

Do Adagio Melancolico ao Prestissimo o tempo não é mais uma dimensão infinita

O andamento é uma possibilidade de criar novos devotos e suas novas poesias em som de amor

Enquanto os calos nascem para insensibilizar as pontas dos dedos e aniquilar toda a angústia

Novos ritmos aparecem para criar a arte de fazer poesia em som de Baden, Yamandu e de Lucia

“Em homenagem as musas Eva, Marta, Ester e Luísa”

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