“Se você mexer novamente nas minhas palhetas eu te mato!” era o que dizia, mas agora se mexerem nem vou saber.


O que realmente é importante na vida de uma pessoa hoje, pode não ser em 10 ou 20 anos depois.

Palheta

Achei finalmente minha palheta, mas para que, se o violão está ali sempre guardado?

Acabei de sair de uma reunião com um cliente. Cheguei em casa para almoçar e vi um treco azul no canto, atrás da porta. Era uma palheta.

Acho que dei ela para minha filha tocar violão. Foi quando bateu aquela velha dor no peito. Aquela dor que dá quando a gente pensa: “E se…” Minha dor no peito me pergunta: “E se você tivesse persistido como músico?” Veja o que aconteceu e o que fiz com o meu talento musical.

Quando eu era adolescente lá em Sorocaba, fiz parte de uma banda da galera da UMES. Nos encontros e manifestações a gente sempre era chamado pra tocar e a gente se apresentava assim:

E aê, galera! Nós somos ‘Os Beatle-lados’ e agora vamos tocar mais um pouco de ‘debi-metal’ pra vocês. One, two, três, four…” e sai da frente que o som é mais sujo e pesado como um elefante na lama! hehehe

A galera do movimento estudantil vinha rir da gente de tanto que a gente tocava mal e a gente ria da gente mesmo. O Bira era o líder, guitarrista, dono da bateria, dos pedais, baixo e dono da bola. Ele só sabia fazer 3 acordes e o lugar do ensaio era na casa dele, então… “Cala-a-boca e toque ou então sai da minha casa!“, dizia ele democraticamente.

Eu estudava violão clássico com o Celso Magrão e aprendi técnicas de arpejação, então tocava sem palheta. Solava guitarra elétrica na uuuuunha, mano! Toda vez que eu tocava eu arrebentava! Arrebentava a corda “mizinho” da guitarra.

– Porra, Leo*, de novo?!
– Bira, compre uma porcaria que preste que isso não acontece mais!

* Leo era o meu apelido familiar desde criança.

E o Bira comprou mesmo algo que prestava: um jogo de palhetas 0.46 mm para conter minha fúria de testosterona. Então tive que abandonar minha “técnica rebuscada” de harpejação clássica” para tocar música punk com palheta. Então, quando eu via meus irmãos mais novos mexendo nelas eu ia pra cima: “Se você mexer novamente nas minha palhetas eu te mato!

Os Beatle-lados” Sonhavam com os holofotes de popstar, mas ai fui embora pra Goiânia em 1991 e perdi o contato com todos. Com a minha saída o Bira montou outra banda chamada Carne de Pescoço ou Terceira Dimensão, não lembro direito o nome. Eu tentei se músico profissional, dava aula de violão e guitarra, toquei em outras bandas e na noite até 1995 quando conheci minha mulher.

O fato de casar com 22 anos significou a ruptura, “o amadurecimento”. Meu sogro pegou minha certidão de casamento e foi lendo até aparecer: “… profissão: músico…” “MÚSICO!?!?! ME DISSERAM QUE ELE ERA AUXILIAR DE ESCRITÓRIO!!!” Ai eu pensei: “É… preciso fazer alguma coisa realmente séria.” e fiz administração de empresas (que era algo sério) e comecei a trabalhar com Internet (que na época era pior que ser músico).

A guitarra e os equipamentos foram colocados nas mãos de um “amigo” para serem vendidos. A grana nunca chegou pra mim e nem nada foi devolvido. Fiquei só com um violão pra me refugiar quando ficava triste. Ai nasceu a minha sobrinha… depois as minhas filhas… e eu fui “xuxalizando” meu repertório. Minhas composições foram se adaptando ao gosto do meu novo público. Deixei de lado o sonho infantil dos holofotes e passei a realizar os sonhos infantis de minhas filhas.

Parafraseando o Zero “O tempo passa e agora eu sei, que só quiseram me enganar“: Mulher de músico não é a música e eu não precisava ter me separado dela. Eu poderia ser bígamo a vontade que não era pecado. Felizmente não foi tarde de mais e em 2010 eu voltei de braços abertos para a música. Em 2010 montei um grupo vocal chamado Vox Maranatha. Não é rock, mas eu amo cantar no 2º tenor com a minha galera. Depois dê uma olhada em nossas apresentações.

Minha palheta pode ter ido parar no cantinho da parede, mas a música está hoje no canto certo da minha vida. O rock não é mais o meu objetivo, mas é algo para ser levado na roda de amigos. O violão está ali do lado da minha cama. Sempre pego nele de vez em quando, principalmente quando vou ensinar uma música nova para minha filha. Ela gosta de tocar Thalles Roberto e quer sempre um louvor novo para tocar nas devocionais de seu colégio.

Se eu tivesse persistido na música talvez estaria tão feliz como hoje, pois não era a música o caminho que iria me dar a felicidade. O caminho da minha vida é Jesus e Ele me deu as melhores coisas da minha vida. Ele me deu minha família, a profissão que eu sigo apaixonado desde 1997! Como Ele tudo se fez novo.

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” 2 Coríntios 5:17

Respondo o meu “E se…” feliz da vida dizendo que continuo persistindo sem ser músico, porque com Jesus comigo, tudo se fez novo! Dia 17/05/2013, vou louvar ao Emanuel (Deus conosco) pelos meus 40 anos e meus amigos vão fazer um show de talentos musicais. Quero todo mundo cantando e tocando, pois eu estou no caminho certo, o único que eu poderia seguir.😉

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