Surto de Misoginia: Do rap e funk carioca ao comportamento social (artigo de 01/08/2008)


Surto de Misoginia: Do rap e funk carioca ao comportamento social

misoginiaA misoginia está sendo aceita socialmente. Pelo menos é o que podemos perceber nas letras das músicas e no comportamento social das jovens. Por um lado os jovens não são mais reprimidos quando se referem às mulheres como máquinas de fazer sexo. Por outro, os sites fotologs estão repletos de fotos de adolescentes se expondo em poses sensuais.

Mas até quando este comportamento social que flerta com a imoralidade, o preconceito e a perversão, é saudável e até quando devemos alertar os jovens para que tenham consciência do que é misoginia? Com certeza este é mais um debate onde a vida imita a arte e a arte imita a vida. Recentemente a grife italiana Dolce & Gabbana decidiu retirar de circulação um anúncio após sua proibição na Espanha e também na Itália por ser considerado como ofensivo por estes países, ambos alegando o incentivo ao machismo e à misoginia.

..Segundo a Wikipédia a misoginia é um movimento de aversão ao que é ligado ao feminino. As letras de funk carioca e de rap freqüentemente perpetuam misoginia, tratando as mulheres com objeto de desejo dos homens e como interessadas apenas no dinheiro dos homens e em serem bancadas.O comportamento misógino não é exclusivo dos jovens brasileiros. Um bom exemplo disso é o sucesso “My Humps” do grupo “Black Eyed Peas”, durante o refrão o homem se queixa que “Ela me faz gastar” e ela responde “Gastando todo o seu dinheiro comigo, gastando seu tempo comigo… Gastando todo o seu dinheiro comigo, comigo”.

Ao contrario do que aparece, as mulheres jovens passaram a aceitar o comportamento misógino expresso nas músicas e são muitas vezes elas que fazem apologia a esta linha de pensamento dançando funk carioca ao sabor de letras que as tratam como objeto, sem se importar se este é movimento de expurgar o que é feminino ou de tornar as mulheres alheias, abjetas.Freqüentemente no funk carioca as mulheres são chamadas em termos pejorativos, como Cachorra (puta), Preparadas (mulher fácil e experiente), Popozuda (mulher com a bunda grande), Mercenária (mulher interesseira), Porpurinada (mulher bem tratada, cheirosa), Potranca (mulher boa de cama), Tchutchuca (mulher nova e bonita), Boca de Veludo e Engole-Míssil (mulheres para fazer sexo oral), Pegar pra criar (fato de seduzir uma garota novinha com o intuito de possuí-la).

Já está comprovado que este tipo de ambiente onde os homens se expressam desta forma, não deixou de atrair o público feminino e os bailes funks não são um grande sucesso em qualquer capital brasileira. Um exemplo de letra misoginia no funk é da MC Deise Tigrona em seu funk “Sadomasoquista” ela se coloca como uma mulher que gosta de transar com caras que sentem prazer em promover dor em suas amantes.

Vem de chicote, algema, corda de alpinista
Dai que eu percebi que o cara é sadomasoquista

Sou tigrona chapa quente
Adoro muita pressão
Gosto de ser acorrentada
E levar tapão no popozão
Quixadão vem de chicote
Querendo me algemar
Me botando em posição
Já pronto pra martelar

Logo abaixo, o restante da citação da Wikipédia.

A misoginia é por vezes confundida com o machismo, mas enquanto que a primeira se baseia no ódio, o segundo fundamenta-se numa crença na inferioridade da mulher.”O misógino

Ao primeiro contato com um misógino, em geral, ele é considerado um cavalheiro. Ele é o homem que conquista a mulher de uma forma deliciosamente amorosa e sedutora e passa a ser por ela descrito através de uma farta lista de superlativos. Ele é tão intensamente maravilhoso que fica impossível para a mulher atribuir a ele qualquer responsabilidade dos problemas da relação quando estes começam a acontecer. O contrato relacional velado se define no início do relacionamento quando o homem vai, aos poucos, verificando até onde pode ir com o seu estilo controlador e manipulador.

À medida que a mulher evita confrontá-lo tentando ser boa para preservar a relação, ela está estabelecendo um tópico contratual que configura o contexto para a atuação do misógino, ao tempo em que ela vai enfraquecendo. Como diz Susan Foward: “ela contrata amor e ele controle”. Esse controle se evidencia nas armas abusivas em que as palavras se tornam, através das quais as críticas e ataques são feitos, até alcançar o controle da sexualidade e o controle financeiro. Mesmo que a mulher tente agradá-lo, tudo que ela faz está errado e ele a convence de que ela é culpada.

Quando as explosões repentinas do homem começam a acontecer, mais elas são sentidas como ameaças veladas pela mulher que fica perplexa e cada vez confusa com o que dá errado. Ela passa a “pisar em ovos”, medindo as palavras, para falar com ele. A forma sutil como ele a desqualifica impede que ela possa perceber que é isso que mina a sua auto estima. Ela se torna irreconhecível, principalmente se antes era uma mulher independente financeira e emocionalmente, uma vez que definha. .Os argumentos utilizados pelo homem parecem tão lógicos e tão cheios de interesse pelo bem da relação que, a mulher vai, cada vez mais afundando no seu pântano emocional. Tudo que ele quer é que ela demonstre seu amor por ele, sendo compreensiva e conhecendo-o tão bem que seja capaz de atender suas necessidades, sem nunca se aborrecer com ele. Com o tempo, a relação parece uma gangorra onde de um lado ele estoura e do outro se arrepende, pede desculpas e se torna o homem maravilhoso do início do relacionamento.

Apesar da descrição devastadora do misógino, ele não tem consciência do seu funcionamento e sequer se dá conta da dor do outro. A construção de tal dinâmica pessoal pode ser entendida a partir da sua história, na família de origem, quando vivenciou sofrimento psicológico o qual não poderia evitar.

Histórico de vida

O misógino é filho de uma relação conturbada onde aprendeu, observando seus pais, que a única maneira de controlar a mulher é oprimindo-a. Ao lado disso, ele pode ter sentido que a sua mãe não poderia existir sem ele, já que seu pai a maltratava; ou ainda, ele pode ter tido uma mãe que o oprimiu ou rejeitou, ao lado de um pai passivo.Qualquer que tenha sido a sua história, o misógino está na fase adulta “atuando” a sua dor de “criança” ferida, buscando desesperadamente ser amado ainda que de uma forma equivocada.

O papel da mulher

No caso da mulher que escolhe formar uma relação com um misógino é possível que ela tenha sido infantilizada pela sua família de origem e busque no seu parceiro o apoio, suporte e amor que não recebeu do seu pai, ou talvez ela teve uma mãe que desqualificava o pai; ela pode também ter vindo de uma família tão caótica que desde cedo ela aprendeu que toda relação é problemática e que ela como mulher não tem chance.Ainda que o misógino seja visto como algoz e a mulher como vitima, esta também contribui para que tal padrão relacional se implemente e perdure. A mulher instiga o misógino a atuar na medida que ela não estabelece limites claros, diferenciando-se dele e ocupando seu próprio espaço na vida e na relação.O homem e a mulher nessa relação estão interagindo dentro de seus próprios papéis; da mesma forma que um círculo não tem começo nem fim, a relação se desenvolve sem que se possa indicar um culpado. Um “precisa” do outro para continuar com o padrão, mas para sair dele um dos dois precisa funcionar de uma forma nova. Uma mulher que sofre numa relação como essa pode:

Manter-se submissa para preservar seu homem;

Separar-se, ou

Construir uma nova relação com o mesmo homem.

Aquelas que escolhem a terceira opção terão que resgatar sua auto estima, assumir o seu lugar no mundo e na relação, estabelecer limites claros e ser firme ao se posicionar diante do seu parceiro. Ela provavelmente precisará de suporte terapêutico até que se tenha fortalecido. É possível que, à medida que ela conquiste seu objetivo, o seu misógino desista do lugar de algoz para ficar ao seu lado ou desista da relação. Se ela sente que o ama, precisará amar a si mesma também para ter coragem de correr o risco de “perdê-lo”. De qualquer forma dificilmente um misógino busca terapia e, se assim o faz, tão logo se fortalece interrompe o seu processo. Parece que o sofrimento do seu mundo interno é tamanho que ele não suporta ter que contactá-lo através da análise da sua dinâmica e efeito do seu comportamento no outro; para tanto ele teria que admitir que é co-construtor das dificuldades da sua relação e que é, na verdade, um homem sedento de amor. Ele teria que admitir que é o único responsável pelo seu auto preenchimento… .

Misóginos famosos:

Friedrich Nietzsche
Arthur Schopenhauer
D. Sebastião, rei de Portugal

Links de referências utilizados:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Misoginia
http://www.portalmulher.net/print.asp?id=1091&categorytype=5&page=0&comments=True
http://letras.terra.com.br/black-eyed-peas/287178
http://forum.valinor.com.br/showthread.php?t=25126
http://port.pravda.ru/sociedade/curiosas/07-03-2007/15904-dolce-0

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