Salmo 133: Explicação e contextualização


por David Álvaro Medeiros dos Santos (escrito em 1990)

Monte Hermon

O Monte Hérmon é uma montanha localizada na porção terminal sul da cordilheira do Antilíbano, na fronteira Líbano-Síria. Com 2814 metros de altitude, o seu pico está quase sempre coberto de neve, enquanto as terras ao redor queimam pelo sol de verão. Partes da encosta sul do Monte Hérmon fundem-se às Colinas de Golã.

Oh Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!

É como o óleo precioso sobre a cabeça,

o qual desce para a barba,

a barba de Arão,

e desce para a gola de suas vestes.

É como o orvalho do Hermon,

que desce sobre os montes de Sião.

ali ordena o Senhor a sua benção,

e a vida para sempre.

O “como é bom”, traduz a recomendação da união, enquanto o “agradável”, traduz a satisfação e a alegria da fraternidade. Portanto, pode-se interpretar o Salmo da seguinte forma:

“Recomenda-se a união dos irmão, para o bem estar e a alegria dos mesmo, ou da fraternidade”.

É a fórmula para satisfação; é o meio para alcançar a eficiência do amor fraterno que resulta na alegria do Grupo.

O amor fraterno constipe uma “bênção”; a dedicação fraternal em união constitui a vida eterna, ou seja, o estado permanente da conquista, da satisfação e da Paz.

O versículo 2 do Salmo fala-se de óleo; “… é como o óleo precioso…”

A importância do óleo ou azeite nas cerimônias liturgias sempre foi da mais alta relevância, como portador que é de virtudes, capacites de conferir àquele que com ele é ungido toda uma expressão de conquista espiritual.

Desses os mais remotos tempos bíblicos, não apenas os Semitas, mas todos os povos da Antiguidade, utilizavam-se do óleo nos seus cerimoniais religiosos ou iniciáticos para a unção das coisas e das pessoas. Frequentemente, o óleo de oliva era empregado de mistura com perfume, sobretudo a mirra (resina aromática, tipo goma, produzida por várias espécies do gênero).

Várias denominações evangélicas se servem do óleo de oliva quando se ministram certos sacramentei, como o batismo, a ordenação sacerdotal e a unção dos enfermos, bem como na consagração dos templos e dos altares.

Em algumas igrejas, o óleo não é menos usado, como o sal, o trigo (ou o pão) e o vinho, tem ele também significativo valor simbólico. Assim o óleo simboliza o fogo.

Mas, não só as coisas serão purificadas como o óleo. Também Arão o patriarca, que etimologicamente significa brilhante, luminoso, três anos mais velho que seu irmão Moisés, foi homem de especial merecimento aos olhos de Deus. A despeito de momentos de fraqueza de Moisés, foi por Ele investido na missão de porta-voz do irmão.

Deus incita Moisés a comparecer ante o Faraó e, repetindo o que Ele lhe dissera, exige a retirada dos hebreus escravizados, mais o futuro condutor de homens dar-se por fraco; “Eis que sou incircunciso dos lábios como me ouvirá Faraó?” (Ex 6:30).

Na presença do povo de Israel e do Faraó, Arão já demonstrara os dons da palavra pronta e firme. Foi quando Deus o fez interprete de Moisés, como também do Senhor, por delegação deste: “tu lhe dirá (a Arão) tudo o que eu te mando; e ele (Arão) falará a Faraó, para que deixe partir do seu país os filhos de Israel.”(Ex 7:1).

Arão não era apenas um orador fluente, mas com iniciado nos Mistérios, sensibilizou Moisés e assombrou Faraó e sacerdotes da corte egípcia com extraordinários prodígios. Assim, a vara mudada em serpente, a transformação das águas do Nilo em sangue, a praga das rãs e dos mosquitos e outras pragas (Ex: Cap. 7) foram fenômenos realizados por intermédio dos imensos poderes extra-sensoriais de Arão. Portanto, nele se integra um homem absolutamente diferente do comum dos homens do seu tempo.

A despeito de seus imensos poder, dia houve em que Arão fraquejou. Arão foi ungido como o óleo perfumado e puro e que é derramando sobre a sua cabeça, fonte de inteligência e dos sentimentos mais elevados. (Lv 8:12). Qual desce para sua barba; alguém respeitado, pois na época o uso de barbas longas significava distinção e desce para a gola de suas vestes, o capítulo 9:8 do livro de Eclesiastes diz as vestes: “Em todo o tempo sejam alvas as tuas vestes e jamais falte óleo sobre a tua cabeça.” De especial significado litúrgico e ritualístico eram as vestes daqueles que tinham por missão exercer atos religiosos, como a unção, o sacrifício e o culto.

A importância da vestimenta e ornamentos vem revelada para a necessidade do óleo precioso (ou santo) “descer” da cabeça para a barba e da barba para a gola das vestes Nota-se, portanto, que o óleo descia da cabeça para o rosto, seguindo pela barba pelas vestes, até a gola, ou orla segundo outras traduções, não era um banho de óleo, mas sim uma aspersão no sentido dado ao vocabulário “aspergir”, segundo o Dicionário Aurélio, significa: respingar, borrifar, orvalhar, fazer aspersão com um ramo molhado.

É como o orvalho do Hermon… Trata-se de importante maciço montanhoso situado ao sul-sudeste do Antilibano do qual o separa um vale profundo e extenso. Apresenta esse monte a forma de um setor de círculos, que vai de nordeste a sudeste.

Para entender-se a geografia dessas regiões que viram nascer a história do mundo bíblico: o Antilibano é a cordilheira que se estende paralelamente ao Líbano, soprando das planuras da Bekaa. De todas as cadeias montanhosas é a que se posta mais no oriente pois desenvolve-se do nordeste ao sul-sudeste por quase 163 quilómetros. Suas extensões e alturas são visíveis a partir do Mediterrâneo.

E seu ponto culminante é precisamente o Monte Hemon, com mais de 2.800 metros de altitude. Do Hermon manam inumeráveis cursos d’água, que levam a vida a tantos povoados e ainda à cidade de Damasco, circunstância esta que confere a ele alto significado no mundo daquele tempos, como verdadeira fonte de vida, doador de fraterna caridade. Assinalou bem o Salmo que Deus fez cair sobre a bênção, que se transforma em expressão de vida em todo o tempo. Por tudo isso, dava a sua importância econômica, histórica e paisagística.

A evaporação forma o “orvalho do Hermon”que face os ventos, o conduz para o Monte Sião, também é chamado “monte de Deus. Não que o monte seja santo por si mesmo, mas porque Deus o escolhe para nele ter a sua morada. Para todos, o Monte Sião será um refúgio e inquebrantável.

A aridez do solo e a escassa vegetação não permite a evaporação e consequentemente a densidade do ar à noite e essa provém do Hermon, como “bênção”para permitir a humanidade tão necessária à vida.

Por esse motivo e fenômeno climatérico é que o “Orvalho do Hermon” vem decantado pelo povo hebreu há milênios. E a suavidade do orvalho comparada com o amor fraterno. A aspersão do orvalho equipara-se à aspersão do óleo sagrado, portanto, é recebido o orvalho como uma consagração permanente sobre o Sião, que representa, mitologicamente o próprio Arão.

O “amor fraterno”é complementado com a habitação em conjunto que significa “coletividade”. A Igreja toma esse Salmo por que faz referência a uma consagração.

O “amor fraterno” não será, portanto, cultuado individualmente, mas sim coletivamente, visando o aperfeiçoamento social grupal e familiar.

Temos outras traduções bíblicas que, ao invés de usarem o vocábulo “junto, referem-se a expressão mais condizente com o espírito dos irmãos em União. O orvalho do Hermon é o refrigério para o indivíduo que pretende se isolar no deserto do egoísmo.

FONTE DA PESQUISA:

  • Bíblia Sagrada
  • Dicionário Aurélio
  • Alguns livros de intelectuais evangélicos

Comenta aê!

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.