A “Sociedade dos Poetas Mortos” e a verdadeira responsabilidade ao ensinar os vivos


https://vimeo.com/486506753

O arquivo está com algumas partes falhando, mas é a melhor reprodução em termos de qualidade na Web.

OBJETIVO DESTA ANÁLISE: Apresentar uma breve sinopse do filme Sociedade dos Poetas Mortos e 7 questões de análise, para ao fim apresentar uma crítica quanto ao conteúdo metodológico.*

O filme é uma história ficcional, ambientada nos EUA do ano de 1959. A Academia Welton, um colégio interno da elite americana, onde as crianças e adolescentes deixam sua casas e suas famílias e vão morar na escola para se aprofundarem nos estudos. O filme começa com a chegada do professor John Keating. O professor é um ex-aluno da escola que chegou para dar aula de inglês e literatura.

O protagonista do longa é Todd Anderson, um adolescente que foi mandado para a escola onde Jeffrey, seu irmão genial, foi muito conhecido no passado na instituição. Ao chegar Todd fica Seu colega de quarto, Neil Perry. Neil tem um pai muito exigente e que quer que ele faça exatamente o que ele manda e não o que ele quer, para ter um futuro profissional e social brilhante e promissor.

Contudo, por causa das aulas com o professor Keating, a vida de Todd e Neil e de toda a sua turma é transformada. O Prof. Keating utilizava um método nada ortodoxo para envolver os seus alunos. Assim, os alunos acabaram reabrindo a Sociedade dos Poetas Mortos. Visto de forma superficial, a metodologia utilizada era para envolver os alunos com a língua inglesa e a literatura, porém o que o professor utilizava a arte literária como pretexto para revolucionar os valores sociais e conceitos universais em troca dos seus verdadeiros desejos.

Por mais bem intencionado que tenha sido o professor Keating, ao utilizar a audiência cativa dos alunos para subverter a ordem institucional, o experimento social de Keating acaba em tragédia.

1. Qual a motivação de um professor para assumir seu magistério?

No filme a Sociedade dos Poetas Mortos, o professor Keating, que tinha sido aluno da Academia Welton, (portanto sabia como ela funcionava), retorna agora com a motivação de tentar ajudar os alunos a pensar muito além das disciplinas formais.

2. Quais os principais problemas enfrentados pelo professor no dia-a-dia do processo ensino-aprendizagem?

A Academia Welton é uma instituição bastante tradicional e o conflito da visão didática dele com a dos outros professores acontece o tempo todo. O processo de ensino-aprendizagem dele era não tratar os alunos como se não fossem detentores de conhecimento ou como se fossem meros expectadores aguardando aprenderem. Outro conflito foi entre alguns alunos mais resistentes à nova didática, porque eram mais arraigados ao processo de ensino-aprendizagem tradicional.

3. Qual a visão do professor sobre o aluno?

Por ter sido um aluno na mesma instituição, ele sabia exatamente como os alunos pensavam. Ele sabia que os alunos eram pressionados por suas famílias tradicionais e ricas a terem um bom desempenho frente ao investimento educacional que estavam recebendo. E sabiam que a instituição existia apenas para suprir esta expectativa dos pais e não a dos alunos.

Assim, a visão do Prof. Kenting era de usar a arte da literatura para abrir a mente de seus alunos para com as suas próprias existências e seus sonhos além do sonho de seus pais.

4. Que relação houve entre a metodologia de ensino e os resultados obtidos na aprendizagem?

A metodologia disruptiva levou os alunos a um interesse imediato pelo conhecimento sobre o passado do prof. Keating na instituição e sobre a criação da Sociedade dos Poetas Mortos. Depois disso, o resultado dos alunos obtidos na aprendizagem foi que, entre os alunos, um grupo de dez deles recriaram a tal sociedade de poetas para buscar viver uma experiência muito além das aulas, como uma sociedade secreta, onde eles poderiam recitar poesias e ler poesias que eles mesmo tinham compuseram.

5. Como era a relação do professor com o conteúdo que ensinava?

Como ele questionava o próprio currículo acadêmico como método válido de ensino, ele ensina que os poemas poderiam ser como qualquer coisa que os inspiraria a ter mais e mais poesia para suas vidas. Assim, analisava o conteúdo dos poemas sempre buscando extrair vida e mostrar a beleza da vida neles contidos.

6) Como a filosofia de educação do professor se expressava na prática de sala de aula?

A filosofia do Prof. Keating dentro de sala de aula era voltada à quebra dos paradigmas do ensino tradicional. Por exemplo: A partir do minuto 22 do filme, ele pede para os alunos lerem um texto que fala sobre a métrica da poesia de forma cartesiana, mas se trata de apreciar as palavras e a linguagem e que fazemos poesia, porque a raça humana está cheia de paixão. Com isso ele coloca um ponto de reflexão para os alunos pensarem em não só aprenderem a ler poesia como também a fazer poesias.

7. Qual a principal mensagem do filme para um educador?

A principal mensagem do filme para um educador é: Seja apaixonado pela educação. Mostre aos seus alunos a beleza que há em cada ciência e ensine-os a amarem o conhecimento e a terem prazer no processo de aprendizado. Ensine-os a procurar ir além do conhecimento formal, técnico e acadêmico. Ensine-os a pesquisar e se aprofundar para torná-los realmente livre-pensadores, mas tenha responsabilidade quanto ao que você ensina para seus alunos. Eles estão em processo de formação. Nunca abuse da sua audiência cativa para transformar seus alunos de agentes de causas que você acredita ou defende. Seja leal a todos que confiaram em você como professor.

CRÍTICA AO FILME ENSINAMENTO DO FILME:

Sociedade dos Poetas Mortos é um filme que realmente vale a pena ser analisado e discutido na atualidade. Na minha opinião é que, por mais bem intencionado que fosse o professor, ele acabou abusando de suas funções. Logo, é muito importante os educadores terem consciência de seu trabalho e de suas responsabilidades para com seus alunos.

O professor Keating não fez os alunos se apaixonarem pela literatura ou mostrou que poesia estimula os alunos a viverem suas histórias e a viverem as experiências de vida, mas plantou no coração dos alunos o pensamento revolucionário de se revoltarem e se rebelar contra as instituições, autoridades e mesmo contra seus próprios pais.

“Não importa o que vocês dizem. Palavras e idéias podem mudar o mundo.” Aqui Keating mostra que seu pensamento como educador tem a intenção de revolucionar. Em determinado momento, Keating diz: “Nós não lemos literatura e poesia porque é algo bonito. Nós lemos porque somos da raça humana.” aqui ele expressa a sua fé no homem ou na redenção da humanidade através do próprio homem. Em outro momento ele diz “A poderosa obra continua e você pode escrever um verso. Qual verso será?” Ou seja, ele incita seus alunos a serem influenciadores.

Em outro momento ele diz: “Eu estou de pé em cima da minha mesa para lembrá-los que vocês precisam ver o mundo de uma maneira diferente.” Pode parecer um coisa boa, mas o que ele quer realmente é que seus alunos questionem todas as autoridades e todo o conhecimento, sem terem o conhecimento necessário para tanto, o que me fez pensar que este é bem o pensamento dos educadores da Teoria Crítica.

Ao fazer isso dentro da estrutura curricular e princípios de uma instituição voltada para formar indivíduos para entrar em Harvard e nas grandes universidade e viverem para o status quo e não para se realizarem, o Prof. Keating acabou sofrendo muitas oposições, tanto da instituição como dos próprios pais dos alunos.

“Não estamos formando artistas, mas pensadores livres.” é a resposta dada pelo Prof. Keating e que sintetiza sua visão para com os alunos. O que Keating deseja é que cada aluno seja um “pensador livre”, mas não livre no sentido de ter uma liberdade autoral, mas de ter um pensamento livre (no sentindo mais literal) ou seja eles deveriam colocar seus pensamentos acima de qualquer conceito pré-definido. Problema que isto não é liberdade, mas libertinagem. Não é liberdade, é escravidão aos prazeres e desejos egoístas.

O seu lema era “carpe diem” que implica sobre a brevidade da vida e da necessidade de viver com intensidade, remindo o tempo em vez de gastar o tempo. “Tornem suas vidas extraordinárias.” foi a lição da primeira aula.

O primeiro passo do professor foi mostrar a necessidade dos alunos “aproveitarem o dia” ou seja se libertarem de todas as amarras sociais que os prendiam e seguirem os desejos dos seus corações. Depois ele mandou os alunos rasgarem páginas “opressoras” contidas nos livros clássicos. Ou seja, foi um exercício de insurreição contra a tradição e a cultura clássica, como se as tradições e valores antigos da sociedade ocidental fossem sempre tradições e valores opressores. O seu lema era “carpe diem” que implica sobre a brevidade da vida e da necessidade de viver com intensidade, remindo o tempo em vez de gastar o tempo. “Tornem suas vidas extraordinárias.” foi a lição da primeira aula.

Por mais que o professor não tenha reaberto a Sociedade dos Poetas Mortos (foram os alunos “reabriram”), a metodologia do professor levou os alunos a se rebelarem contra qualquer tipo de autoridade e viver uma vida hedonista e individualista.

Ele quebrou o distanciamento hierárquico que havia entre os professores e os alunos e se colocou numa relação de livre acesso e de empatia. Com isso, os alunos se tornaram mais susceptíveis a influência dos pensamentos do professor.

Porém, ao fazer isso, o professor não fez os alunos se apaixonarem pelo conteúdo do curso ou pela literatura ou mostrou que poesia estimula os alunos a viverem suas histórias e a viverem as experiências de vida, mas plantou no coração deles o pensamento revolucionário de se revoltarem e se rebelar contra as instituições, autoridades e mesmo contra seus próprios pais.

Na caverna os alunos leem um trecho de Henry David Thoreau “Eu fui à floresta porque queria viver deliberadamente. Eu queria viver profundamente e sugar toda a essência da vida. Eliminar tudo o que não era vida. E, não, ao morrer, descobrir que não vivi.” Thoreau viveu no Séc. XIX e foi um poeta americano e considerado também o pai da desobediência civil, do anarcocapitalismo e a anarquia individualista que influenciou pensadores do Séc. XX como a filósofa ateia Ayn Rand.

É importante explicar que Thoreau no filme foi colocado como um dos fundadores da Sociedade dos Poetas Mortos, da qual Keating fez parte e que agora estava influenciando os alunos. Ou seja, Thoreau, um poeta morto, continua influenciando através de seus escritos e pensamentos. Aqui Keating tenta subverter a própria hermenêutica ao relativizar a intenção do autor quando afirma: “Quando lerem um autor, não considerem o que o autor pensa, mas o que vocês pensam.”

CONCLUSÃO:

Portanto, por mais que, aparentemente, as aulas do Keating fossem divertidas e dinâmicas, o propósito de trazer a liberdade para os alunos não se concretizou, porque só trouxe dor e revolta com as estruturas, mas tendo como a única solução a liberdade a qualquer custo, mesmo se for para sacrificar a verdade.

Finalmente, o Prof. Keating falhou em sua missão como educador quando optou por doutrinar. E, ao fazer isso, ele acabou traindo a confiança de todos que acreditaram nele como um educador.

* Esta análise foi feita com base no questionário proposta pelo Prof. Rev. Rogério Bernardes para a disciplina de Educação Cristã 2 (nov./2021), para o curso de Bacharel em Teologia, no Seminário Presbiteriano Brasil Central.

Autor: Wesley Porfírio Nobre
Instagram: @wporfirio

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